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Filhos do Divorcio


O divórcio dos pais transforma completamente a vida dos seus filhos, e esta transformação procede-se com uma grande dor: perdem a intimidade quotidiana com um dos seus pais, altera-se o conceito de família e sentem-se basicamente abandonados. Os impactos podem ser muito diferentes, segundo o sexo e a idade dos filhos no momento em que se dá a separação, porém também existe elementos em comum na experiência de todas as crianças que tenham atravessado esta crise.

A experiência do divórcio traz novos elementos à identidade da criança, modificando-a. Os filhos de famílias divorciadas partilham de atitudes, sentimentos e ilusões, e consideram-se membros de um grupo especial. O facto de serem filhos de pais divorciados faz com que padeçam de uma identidade fixa, que define a sua personalidade e afecta profundamente as suas relações presentes e futuras. Sentem que o processo de crescimento é mais difícil, e de facto o é, porque o divórcio provoca traumas. Ao longo dos anos, vivem perante sentimentos de perda, tristeza e ansiedade, sentem-se menos protegidos, menos cuidados e consolados.

Compartilham de valores mais conservadores dos seus pais respeitantes ao matrimónio: desejam um matrimónio estável, um amor romântico, duradouro e leal, mas com a sensação de que há poucas probabilidades de acontecer. Crêem que é necessário evitar matrimónios impulsivos, e que a convivência experimental é boa para uma relação. Anseiam estabelecer relações duradouras e preocupam-se não o conseguir.

A primeira reacção dos filhos frente ao divórcio é o temor, uma profunda sensação de perda e tanto podem chorar por um pai afectuoso como por um pai indiferente. Também se preocupam com o bem-estar dos seus pais, estranham que o pai/mãe se tenha ido embora e temem não voltar a vê-lo. A qualquer idade sentem-se recalcados. Quando um pai abandona o outro, as crianças interpretam-no como se tivessem elas mesmas a serem abandonadas. Sentem que a sua opinião não conta e sentem impotência frente a sua incapacidade para interferir num acontecimento tão importante nas suas vidas.

Algumas condutas a seguir pelos pais divorciados
Todos estes problemas anteriormente descritos podem ser evitados se os pais adoptarem uma atitude adequada, no momento da crise e depois dela. Alguns pontos a seguir:

  • Ajudar os seus filhos quando a separação está iminente, preparando-os para o que está para vir. Ser cuidadoso com o que lhes diz e como o diz, porque tudo o que lhes dirá será recordado por muito tempo. Não se pode evitar que sofram mas existem muitas formas de diminuir esse sofrimento;
  • Comunicarem juntos (pai e mãe) a decisão do divórcio. Desta forma, transmitem uma decisão conjunta, madura e racional;
  • Falar com todos os filhos ao mesmo tempo porque podem ajudar-se entre si. Se existirem diferenças de idades muito acentuadas, num segundo momento poderá falar com cada um em separado, adequando o discurso a cada idade;
  • Devem inteirar-se que a decisão de divórcio está firmemente tomada e com antecipação, revelar o dia em que o pai/mãe se vai mudar;
  • Explicar a situação de forma clara. Os filhos precisam de entender que se trata de um divórcio. No caso de adolescentes, convêm explicar-lhes todo o processo legal e as decisões que será necessário tomar;
  • Explicar-lhes as razões do divórcio, sem entrar em detalhes como infidelidades e problemas sexuais;
  • Exprimir a tristeza que gera o divórcio dos pais, porque isto lhes permite exprimir os seus próprios sentimentos;
  • Dizer-lhes que eles não são responsáveis pela separação e que não está em suas mãos recompor a relação;
  • Dizer-lhes que sabem que vão sofrer e que lamentam causar-lhes este sofrimento;
  • Dizer-lhes que foram um dos maiores prazeres do matrimónio e que no passado existiu muito amor nele;
  • Antecipar situações previsíveis dentro do possível;
  • Dizer-lhes que devem ser valentes e que esta crise deverá ser ultrapassada por toda a família;
  • Deixá-los participar com opiniões sobre as decisões a tomar, no entanto não serão eles a decidir;
  • Dizer-lhes que todos deverão esforçar-se para manter a importante relação entre pais e filhos;
  • Dizer-lhes que têm o direito de amar ambos os pais da mesma forma, reforçando que o divórcio é um problema entre adultos.

A tradição já não é o que era e as alterações que a sociedade vai sofrendo revelam-se também na constituição das famílias. As crianças filhas de pais separados deixaram de ser apontadas, tudo porque deixaram de ser “raras”. Hoje as famílias mono parentais representam uma faixa importante da população e uma em cada quatro crianças é filha de pais separados. Um número que podemos considerar fictício pois não contempla nenhuma união não civil. A questão é: quais as repercussões de tais mudanças?
Por um lado estas metamorfoses vêm criar a necessidade de compensação parental, o que favorece um crescimento infantil num registo perfeitamente omnipotente. Situações de divórcio provocam nos pais sentimentos de culpa que despoletam a compensação material. Ou seja, perante uma evidente falha cometida pelos progenitores, no que se refere ao desmembramento da família, os pais tentam consertar esse “erro” com outro.
A criança percebe e manipula de modo a atingir os seus mais breves caprichos. Sabe-se que a falta de coerência (inconstância de critérios); a falta de consistência (força infantil sobre a fraqueza parental, ainda que agora digam “não” perante a insistência da criança acabam por dizer “sim”) e a falta de continuidades parentais (ausência de postura educativa, que passa por períodos de firmeza intercalados com outros de permissividade) são propriedades fundamentais ao registo de patologia infantil. Com a desculpa de “para que não fiquem traumatizados” é-lhes cedido, permitido e oferecido tudo. A demissão dos pais enquanto educadores, optando pelo facilitismo, o que de alguma forma lhes diminui a culpa, pode repercutir-se num egocentrismo infantil, que gera uma espécie de pequenos ditadores sem regras, que não têm noção dos limites, e que os pais dizem não ter mão.
Por outro lado a dificuldade dos adultos em aceitar um processo de separação pode fazer com que a criança passe a ser um joguete no meio da guerra que se cria. Provavelmente o mais doloroso para os filhos de um divórcio será terem de desistir de um dos pais dentro do seu coração e abdicar de uma parte de si mesmos. Nas lutas entre ex-cônjuges é frequente a utilização e manipulação da criança para magoar o outro. Trata-se da Síndrome de Alienação Parental (S.A.P.) e é um transtorno pelo qual um progenitor transforma a consciência do seu filho, mediante vários ardis, com objectivo de impedir, ocultar e destruir os vínculos existentes com o outro progenitor, levando-o a ter apenas sentimentos negativos para com ele.
Esta síndrome surge principalmente no contexto da disputa da guarda e custódia das crianças e o seu promotor ou agente, o progenitor alienador, na maior parte dos casos, é o que tem a seu cargo a custódia legal dos filhos. Os estratagemas consistem em tentativas de minimizar o contacto com o outro, impedindo o contacto telefónico ou físico, na expectativa que a criança se desiluda, fique magoada e pense que o progenitor alienado não se preocupa com ela.
Estas lavagens cerebrais pautadas por campanhas anti-ex-cônjuge fomentam o desprezo e ódio da criança por um dos pais e, pelo outro lado, o medo de perda e dependência psicológica. Este tipo de posturas educativas: quer a compensação parental quer o S.A.P., provocam inúmeros transtornos e sequelas nas crianças. É importante reflectir e perceber que a vinda de um filho tem que ser associada a um projecto parental educativo e que este novo ser é alguém muito importante e independente dos pais, que por eles deve ser encaminhado e amado e nunca utilizado em benefício próprio. Como diria Pedro Strecht um dos papéis mais importantes dos pais é o de ajudarem os filhos a crescer, mas para isso é preciso saber ser crescido.
Para terminar, pode-se concluir que são dois os objectivos que os adultos deverão alcançar após um divórcio. O primeiro é a reconstrução das suas vidas pessoais, e o segundo ajudar os filhos a superar o fracasso do matrimónio e dos anos posteriores ao divórcio. Os filhos também deverão alcançar dois objectivos. Em primeiro lugar, devem reconhecer a realidade da separação e aceitá-la, para poder continuar a crescer familiar e individualmente. Em segundo lugar, acreditar no amor e aceitar a ideia positiva de que podem amar e ser amados.

 

As Instituições de Ensino


Coloco aqui hoje um comunicado efectuado pela Associação para a igualdade Parental e Direito dos Filhos, que nos leva a pensar que até as instituições por desrespeito ou desconhecimento da lei, quase que não comunicam aos pais “ausentes” as questões de maior importancia aos pais que são proibidos pelas mães que efectuam SAP da vida cotiadiana dos seus filhos.

 

COMUNICADO ÀS INSTITUIÇÕES DE ENSINO
O arranque do ano lectivo marca o início de mais uma etapa fundamental na vida de educadores/professores, crianças e pais. Para os educadores/professores as novas responsabilidades são muitas e esta é uma altura de particular exigência. Para as crianças é
a excitação de (re)encontrar os amigos, de novas aprendizagens e experiências. Para os pais é a preocupação com a (re)entrada na escola dos filhos – porque a escola é o local por excelência onde estes se formarão sócio, cultural e civicamente.
Por este motivo, e porque as crianças são “o melhor do mundo” e a essência de todas as nossas preocupações, gostaríamos de partilhar convosco uma realidade com a qual nos deparamos, infelizmente, demasiadas vezes: as crianças filhas de pais separados/divorciados. Sabendo que a separação/divórcio é sempre um momento doloroso pelo qual o casal (que só se desfaz conjugalmente, mantendo-se sempre como casal parental) e os filhos passam, e que muitas vezes esse momento se transforma num processo lento e onde surgem conflitos infundados, as crianças são, invariavelmente, as maiores (se não mesmo as únicas) vítimas de discórdias que na realidade lhes deveriam ser alheias.
Neste sentido, e dada a extrema importância da escola (independentemente de serem de ensino público ou privado, confessionais ou laicas e dos seus graus de ensino) e dos seus interlocutores na vida de cada criança, vimos por este meio tentar esclarecer algumas das
dúvidas mais frequentes que surgem nestas situações e que nos têm sido dirigidas regularmente.
Legalmente, as Responsabilidades Parentais podem ser exercidas em conjunto (por ambos os progenitores) ou individualmente (só por um deles), mediante Acordo estabelecido entre estes ou decisão do Tribunal de Menores.
Contudo, independentemente do Acordo existente e de quem representa a figura do Encarregado de Educação, que será sempre designado no início de cada ano lectivo, ambos os pais têm o direito e o dever de participar activamente na vida dos filhos, acompanhando-os nas actividades escolares, dirigindo-se às escolas, solicitando e recebendo informações relativas aos seus filhos e, mesmo que estas já tenham sido transmitidas ao Encarregado de Educação, as escolas devem prestar todas as informações solicitadas pelos pais (salvo impedimento judicial).
Por outro lado, muitas vezes às crianças é impedido o contacto com um dos pais, e são dadas instruções, pelo progenitor residente ou que tem a guarda, às escolas no sentido de estas não permitirem o contacto entre as crianças e o progenitor não residente.
Compreendemos que a escola não é certamente o local ideal para o exercício do direito de visita, que é um direito do progenitor não residente e das crianças, no entanto torna-se muitas vezes no único local possível, sendo que as escolas não podem impedi-lo ou restringi-lo.
Às escolas, seus educadores/professores e restantes interlocutores solicita-se então que adotem uma atitude de mediação de conflitos, não tomando posições por um ou outro pai, evitando dessa forma mais conflitos e zelando pelo real direito das crianças em conviverem
com ambos os pais e famílias alargadas.
Encontramo-nos a vossa inteira disposição para qualquer esclarecimento adicional, contacto ou parceria sobre o assunto supra desenvolvido.
Bem-haja pela atenção dispensada a esta temática.
Com os votos dos maiores sucessos neste ano lectivo, os nossos mais cordiais
cumprimentos,
A Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Defesa dos Direitos dos Filhos
28 de Setembro de 2011

Reportagem Expresso


Ontem enquanto efectuava uma pesquisa,para um projecto meu, encontrei esta reportagem do Expresso que foi efectuada no dia 25 de abril de 2010 (dia Mundial da alienação parental).

Esta reportagem, que podem ver na integra, no link no final deste post, esta muito bem conseguido e é o melhor que tive o privilegio de ver até hoje. Não sei se alguma vez foi transmitido pela televisão portuguesa em qualquer, um dos canais, mas aplaudo esta iniciativa e interesse levado a cabo pelo Expresso.

Tentei contactar o Jornal Expresso, para pedir as devidas permissões afim de transcrever para o meu blog da reportagem, mas não obtive resposta, fica para a próxima vez, mas sigam o Link e partilhem, sejamos todos corajosos, e lembrem-se nunca desistam dos vossos filhos.

Como curiosidade, e leiam, também no site do Expresso, em diversas ocasiões, que os jornalistas tentaram contactar as mães das crianças e ouvirem o lado delas, e todas elas se negaram por diversas vezes a tecer qualquer comentário.

Reportagem:

Reportagem Expresso

Pode clicar no link para a Reportagem: Jornal Expresso

 

 

 

 

 

 

 

 


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Pais que desempenham um papel mais activo na vida de seus filhos ficam com um legado mais rico, segundo um grande estudo. Os jovens crescem com os pais se tornarm mais inteligentes e sobem mais alto na escada social do que aqueles cujas mães os criam, pois são deixados para fazer a trazer para cima,sugere, o autor.
Um projeto de 50 anos seguindo 17.000 bebês nascidos na mesma semana descobriram que aqueles cujos pais tomaram um papel mais ativo na leitura e a brincar com eles,vieram a ser mais bem sucedidos na vida mais tarde.
O estudo seguiu com entrevistas posteriores como os sujeitos cresceram para ver se eles tinham os seus próprios filhos e para testar a sua mobilidade social, e examinar se eles tinham feito melhor do que seus pais. Em 2004, mais de 5.700 deles foram entrevistados com 46 anos de idade.
O relatório, de Daniel Nettle do Centro de Comportamento e Evolução da Universidade de Newcastle, encontrou que os pais que passaram um tempo com seus filhos produziram descendentes com um QI mais elevado e maior status social. Embora os pais estavam mais propensos a gastar o tempo com os meninos do que meninas, ambos os sexos beneficiaram igualmente a partir da interação com seus pais. Crianças nascidas de pais mais velhos correm um maior risco de ter autismo, dizem os pesquisadores.
A descoberta informou hoje no British Journal of Psychiatry mostra o risco que aumenta mais de três vezes entre meados dos anos 20 e 30 anos. Cerca de uma em cada 100 crianças é pensado que sejam afetadas e uma das razões pode ser a idade avançada dos pais. Acredita-se que os problemas podem ser erros genéticos insinuando-se a produção de espermatozóides de homens mais velhos. O estudo envolveu 84 crianças japonesas mais velhas e adultos com “funcionamento de alto autismo, o que significava que tinham dificuldades com a socialização, comunicação e comportamento, mas não tinham uma deficiência intelectual.
As idades de seus pais foram comparados com os de 208 adultos que não tinham sido diagnosticados com algum distúrbio psiquiátrico. A análise incidiu sobre os pais, que estavam sob 29, 29-32 e 33 ou mais. O risco de a criança ter autismo de alto funcionamento aumentou 1,8 vezes para cada grau de idade.


Texto: Pedro Justino Alves
«Só Amor não Basta? – Educar até aos 6 anos, um Guia para Pais», escrito por Paulo Sargento e editado pela Planeta, apresenta, além da teoria, inúmeros casos reais da vasta experiência do autor, o que torna esta obra obrigatória para qualquer casal, que certamente vai encontrar soluções para problemas que está a viver na complicada, mas deliciosa, arte de educar uma criança.

«Antigamente dizia-se que um homem só se realizaria quando tivesse um filho, plantasse uma árvore e escrevesse um livro. Hoje, escrevemos um livro, plantamos uma árvore e, só depois, temos um filho. Esta é a nossa pior falha», acredita Paulo Sargento, que defende no entanto que «ser pai ou mãe é das coisas mais bonitas que nos podem acontecer». O seu livro procura auxiliar nessa difícil tarefa, numa linguagem muito acessível, sem grandes floreados teóricos e cansativos, o que torna a sua leitura bastante agradável.

Em concreto, o que pretendeu transmitir com «Só Amor não Basta? – Educar até aos 6 anos, um Guia para Pais»? 
Ao escrever este livro tive como objectivo fundamental partilhar com pais e educadores o que estes partilharam comigo durante 20 anos: preocupações e angústias, mas, também, satisfações e alegrias. No fundo, trata-se de uma exposição coloquial sobre como se constroem as competências parentais. Dito de uma forma mais simples: afinal, ser pai ou mãe não só não é assim tão difícil como, também, é das coisas mais bonitas que nos podem acontecer!

Na nossa sociedade, cada vez mais o papel da educação é transferido dos pais para a escola, muitas vezes devido as exigências diárias. Acredita que os pais têm consciência dessa mudança de papel? E, se têm, procuram travar essa transferência ou, pelo contrário, se acomodam? 
A educação é um terreno de partilha com diversos actores (família, amigos, escola, etc.). Às vezes pensamos que o tempo é a condição necessária para educar. Assim, como as nossas crianças passam, efectivamente, mais tempo na escola e em actividades extra-curriculares, ficamos com a sensação de que não temos tempo para as educar. Nada de mais errado! Ainda que reconheça que as crianças de hoje brincam muito pouco e passam muito tempo na escola, não creio que educar esteja dependente do tempo que passamos com ela. Educar uma criança é um processo de qualidade de contactos e não de quantidade de contactos. Quando o tempo que passamos com alguém é bom, mesmo que seja pouco, tudo corre bem. Depois, é necessário dizer que a escola tem na sua primeira linha ensinar, transmitir conteúdos. A família tem na sua primeira linha educar. Mas quer a escola quer a família podem educar. E educam!

Ao longo dos anos o papel da educação alterou-se em termos sociais. Antigamente, na minha opinião, era muito mais rígida. Como vê a educação em si na sociedade de hoje? Há diferenças gritantes em relação ao passado? 
Sem dúvida. A educação acompanha as mudanças da humanidade, em todos os aspectos. É muito sensível às transformações sociais, ecológicas, económicas, políticas. Contudo, o essencial para educar tem-se mantido inalterável: o amor! É por isso que digo que, apesar de só o amor não bastar, tudo o resto é perfeitamente inútil se ele não existir. O que faz mudar a educação são as formas culturalmente induzidas, mas em toda a vida da humanidade existiu amor. Por isso, em toda a existência humana houve boa educação, ainda que com recurso a diferentes modos de viver, pensar e agir. O que hoje se nota de substancialmente diferente na educação é que se começa a entender que ser pai ou mãe é sobretudo cuidar e não somente procriar.

Há muitos livros que ajudam os pais a educar os seus filhos, muitas teorias. No entanto, quanto mais ajuda parece termos ao nosso dispor, pior é o cenário. Como explica essa aparente contradição? 
Apesar de existir muita informação sobre parentalidade não quer dizer que seja lida ou que seja assente em princípios baseados em evidência científica. Ideias e opiniões sobre como educar os filhos todos temos. Contudo, para se aconselhar alguém sobre o modo de exercer a sua parentalidade não basta ter-se uma opinião sobre tal. É também necessário que nos socorramos das evidências que a Ciência vai produzindo para construir ajudas e intervenções mais esclarecidas e eficazes. A maior parte das vezes, ler algo sobre parentalidade constitui uma preciosa ajuda para o seu exercício diário. Sabe porquê? Porque quem lê demonstra, desde logo, interesse em saber mais sobre esta tarefa tão importante para a humanidade. Contudo, em alguns casos, é necessário mais do que a leitura. Algumas vezes é necessária ajuda especializada. Mais uma vez, quem a procura demonstra preocupação com esta tarefa e isso é algo de extraordinário.

Acredita que a base da educação, do convívio social, está entre os um e os seis anos, como muitos defendem? 
A Ciência tem-nos demonstrado isso mesmo. A nossa informação genética não se exprime sempre de uma forma directa. Muitas vezes, esta expressão é modificada pela influência de factores externos ao DNA – é o que se designa por Epigenética. Estes factores, que designamos por ambientais (família, amigos, colegas, professores, etc.), parecem ter importâncias diferentes de acordo com as funções e os períodos de vida em que operam. A construção da nossa personalidade, por exemplo, parece ter um período crítico onde a influência do meio próximo (família nuclear) é determinante: os primeiros 5/6 anos de vida. Neste período, grande base do que será a nossa personalidade futura está em jogo através da relação dinâmica entre o que herdámos dos nossos progenitores e o que construímos na relação com o nosso ambiente social.

O seu livro tem partes teóricas, mas principalmente práticas, com inúmeros casos, 37 no total. São nesses casos que os pais e educadores poderão retirar o sumo da sua obra? 
Apesar de não existir nada de mais prático do que uma boa teoria, julgo que os casos que apresento no livro constituem fiéis exemplos ou ilustrações daquilo que apresento em termos teóricos. É como um livro ilustrado. Só que em vez de imagens tem histórias de pessoas como todos nós. O que espero é que, em cada caso apresentado no livro, o leitor possa ver um pouco do seu caso e, com isso, aprender.

Dos vários casos apresentados, há algum que o tenha surpreendido em particular? Se sim, qual e porque? 
Caso 18, da Liliana. É uma ilustração magnífica de como lidar com o ciúme e com o amor de forma positiva e feliz. É uma lição de vida para todos!

Separa o livro por idades. Qual a «passagem» que acredita ser a mais importante nos primeiros seis anos? Porque? 
As diferentes idades não significam, exactamente, diferentes fases de desenvolvimento. Apenas constituem aproximações. Contudo, gostava de chamar a atenção em especial para os dois primeiros anos de vida por neles se concentrarem as bases mais fundamentais da nossa existência futura.

No final apresenta dez dicas, que defende que não são mandamentos. No entanto, algumas deveriam ser. Ou não? E quais destacaria dessas dez dicas? 
De facto, são apenas dicas porque implicam princípios gerais de recomendação e não formas rígidas de comportamento. Contudo, se tivesse de escolher duas dicas e transformá-las em mandamentos seria este:
a) não existe mimo a mais e nunca devemos levar uma palmada pedagógica! Já vi muita gente a queixar-se por falta de mimo, mas nunca ouvi ninguém a queixar-se por ter demasiado mimo. Palmadas são sempre palmadas e nunca são pedagógicas, como qualquer espécie de violência não o é e nem nunca o será. A história da Humanidade mostra-nos isso com clareza.

Da sua vasta experiência, onde estamos a falhar? Ou não estamos?…
As sociedades criaram muitos mitos sobre as dificuldades da parentalidade. Ter filhos era o objectivo principal da generalidade do seres humanos desde a revolução industrial até à primeira metade do séc. XX, inclusivamente viam nisso uma «riqueza». Mas as sociedades pós-modernas inverteram essa tendência. Hoje ter um filho tem uma outra representação. Não é um «princípio» de vida, é um dos «fins» na vida. Convencemo-nos que só estamos prontos para ter um filho quando já realizámos um conjunto de tarefas em que a sobra é, precisamente, ter um filho. Antigamente dizia-se que um homem só se realizaria quando tivesse um filho, plantasse uma árvore e escrevesse um livro. Hoje, escrevemos um livro, plantamos uma árvore e, só depois, temos um filho. Esta é a nossa pior falha!

 

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=523362

 


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O Dia Mundial dos Avós que amanhã, dia 26 de Julho, se celebra um pouco por todo o mundo, vem relembrar-nos a todos a importância da família alargada na estruturação dos afectos na criança e no adolescente e em particular da sua relação com os avós.

O papel dos avós é especial, pela simples razão que só aos avós os pais das crianças e adolescentes reconhecem alguma autoridade para que eles entrem na vida dos seus filhos. E “entrar” na vida dos seus netos significa, para os avós, o estabelecimento de laços afectivos fortes, para além do direito de também acompanhar o seu crescimento e participar nalgumas das actividades do quotidiano, muitas vezes complementando os próprios pais. Não é em vão que, por vezes, se diz que ser avô é “ser pai duas vezes”. Com uma vantagem acrescida: o conhecimento dos avós, está moldado pelo que a vida lhes ensinou e que o tempo ajudou a esculpir e que eles, na sua sabedoria, transmitem aos netos com uma simplicidade carinhosa.

Os avós constituem o retrato da família alargada, do grupo, onde a criança progressivamente é integrada de forma afectivamente securizante. Os avós, preenchem também esse espaço afectivo, de autoridade e responsabilidade, que predominantemente deve ser naturalmente assegurado pelos pais.

Com os avós, a criança e mais tarde o adolescente, conhecem parte do seu próprio passado; aprendem o respeito carinhoso pelos mais velhos ou alargam o seu conhecimento temporal porque no seu espaço afectivo se cruzam e partilham saberes e valores de diferentes gerações: a sua própria geração, a dos seus pais e a dos seus avós.

A Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Defesa dos Direitos dos Filhos, associa-se à comemoração do Dia Mundial dos Avós, felicitando todos aqueles que neste dia podem estar juntos com os seus netos e que com eles têm uma relação próxima.

Todavia, a Associação recorda também que nos casos de separação e divórcio existem pais e mães que, consoante os casos, afastam (deliberadamente ou pelo silêncio) os seus filhos dos avós maternos ou paternos, “matando simbolicamente” um dos principais vínculos afectivos das crianças e adolescentes e, provavelmente, uma das suas principais referências de vida.

Neste dia, cabe perguntar também se é do “superior interesse da criança” o afastamento dos avós, promovido por um dos progenitores ?

Pais de fim-de-semana e avós de bacalhau (que só se vêm no Natal) têm que acabar para bem das crianças e dos seus familiares!

A Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Defesa dos Direitos dos Filhos já dirigiu o ano passado uma comunicação ao então Ex.mo Sr. Ministro da Justiça para uma mudança significativa nas Políticas de Justiça em matéria de Família, permitindo dotar todos os tribunais dos instrumentos necessários à resolução célere e precoce dos conflitos parentais e principalmente a implementação de uma Política de Justiça preventiva e pedagógica para com os conflitos parentais (como a mediação familiar obrigatória, intervenção terapêutica adequada, as assessorias técnicas ou mesmo uma reforma dos tribunais de família no sentido do Modelo de Cochem).

A APpIPDF chegou a solicitar uma audiência com o Ex.mo Sr. Ministro da Justiça da qual nunca obteve resposta. No entanto, nesse dia realizou-se uma iniciativa de pais, mães e avós junto ao Ministério da Justiça, permitindo uma “conversa informal” com o Ex.mo Sr. Secretario de Estado José Magalhães.

A APpIPDF tem como objectivo, nesta legislatura que agora se iniciou, levar estas e outras preocupações, bem como a exigência de mudanças institucionais, a todos os órgãos de Poder e em particular aqueles que têm uma responsabilidade directa nestas matérias.
O Paternidade Justiça,este ano,alia-se as actividades,de uma forma de momento não oficial,pois o processo de associativismo, só agora deu entrada, nas instituições,respectivas. Esperemos que para o ano,tudo esteja legalizado.

Outros Casos


Ontem, deixaram um Comentário que podem ler, abaixo, e no meu Post sobre o Rapto, eu sei que estou mal e sinto-me mal, mas também sei que existem pessoas piores do que eu, este amigo conta-nos a sua história e ficamos sem perceber como nos dias de hoje um pai não pode ver o seu filho, na segurança da sua casa e de criar um espaço e uma cumplicidade que deve existir entre pais e filhos, é inadmissível como a falta de tacto e de treino, muitas vezes dos tribunais e dos assistentes sociais, levam a que certas coisas pudessem não acontecer, que os pais possam ter um relacionamento saudável com os seus filhos.

Eu nesta luta, não quero, nem desejo olhar só para o meu umbigo, quero que algo mude, que seja diferente para todos, sejam pais, mães ou avós, que tanto as pessoas como o poder politico, alterem a sua forma de pensar e de agir, de serem pretensiosos e que o século passado já morreu há muito, que os tempos mudaram, a forma como conhecíamos o conceito família, infelizmente também mudou, que os nossos filhos precisam de nós e independentemente do que tenha feito os seus pais se separarem, que ambos devem ter acesso a tudo o que envolve a vida deles, e que o alto interesse das nossas crianças é a dos pais, não de terceiros, que não lhes são nada, e que nem devem ter uma palavra a dizer, se não os pais, e isso, é que o estado falha, é no não regulamentar no alto interesse das crianças, e em muitos dos casos obrigar os progenitores a salvaguardarem o interesse dos filhos.

Mas fica aqui o relato do Rui Borges, e um grande abraço e por favor, não desistas, nunca o teu filho precisa de ti também:

” As Visitas ao Rafael têm inicio no dia 17de Dezembro de 2009.
Perante as minhas expectativas e a grande ansiedade, a reacção do Rafael foi de alegria e reconhecimento do Pai, (que deixou de ter contacto quando tinha 23 meses, ou seja esteve cerca de nove meses e meio sem ter qualquer contacto com o pai e família paterna. Questionei na altura a técnica da Segurança Social relativamente ao atraso nas visitas, uma vez que o Tribunal tinha decretado que as visitas eram para ter inicio em Setembro, atrasando-se três meses, a resposta que obtive foi que foi enviada uma carta em meu nome para dar inicio ás vistas mas a mesma tinha a morada da mãe. (demorou-se três meses para detectar esta situação?) O próprio tribunal tem a informação que eu faltei á visita, quando não fui notificado.
O Rafael sempre comparece acompanhado da avó materna, apenas no primeiro dia compareceu a mãe, a relação pai / filho sempre tiveram muito êxito e o menino quase sempre, a partir do momento que foram consolidados os laços que existiam desde o nascimento, não queria abandonar o local querendo continuar a brincar com o Pai. Por várias vezes foram alterados os horários das mesmas a pedido dos avos maternos, o que eu tentei sempre gerir de acordo com os seus interesses / necessidades, embora a nível profissional isso me tenha prejudicado muito.
O primeiro contacto com os avos paternos, e depois de muitas solicitações junto da técnica, foi realizado passadas algumas semanas e por forte insistência da minha parte junto da técnica, o Rafael imediatamente reconheceu os familiares e mostrou muita alegria no reencontro, bem como com a D. Joaquina que nos acompanhou. A família paterna só pode comparecer nas visitas com a previa autorização da técnica, argumentando que se deve privilegiar o contacto com o Pai, e o que eu concordo, mas é com enorme desespero que os Avos paternos passam semanas sem ter contacto com o neto e vice-versa.
Em Julho de 2010 sou informado pela técnica que as visitas deixariam de se realizar entre 13 de Agosto e 13 de Setembro e que o motivo seria as férias da referida técnica, mostrei a minha preocupação e indignação, uma vez que os laços que nos unia estavam muito fortes e mais uma vez o menino se iria sentir abandonado pelo pai. Na altura sugeri que outro técnico que já tinha estado presente a substitui-se, o que me foi informado que não era possível , questionei a técnica em questão aos possíveis efeitos nefastos que este afastamento poderia trazer para a criança , a qual referiu que isso não era importante…
No dia 13 de Setembro compareci a retoma das visitas, O Rafael reagiu muito bem e com uma enorme alegria por ver o Pai. No dia 21 de Setembro realizou-se a segunda visita de seguida ás ferias novamente a interacção foi óptima mas no final da visita, e pela 1º vez de uma forma algo desesperada e fazendo “birra”, situação que eu nunca tinha presenciado, o menino não queria abandonar a sala e o Pai ( durante a visita o menino agarrou-me na mão e pediu-me: “ Pai leva-me á escolinha!”).
A próxima visita ficou marcada para o dia 28 de Setembro, durante a semana a Técnica social desmarcou a visita para o dia 1 de Outubro, justificando que os avós não podiam estar presentes.
Foi então no dia 1 de Outubro que o Rafael apresentou um comportamento que nunca tinha acontecido, a técnica veio ter comigo e informou-me que o menino não queria largar a avó, e logo eu não poderia estar com ele e efectuar a visita porque não me podia cruzar com a referida senhora, assim fui mantido sozinho numa sala durante cerca de uma hora no final da qual a técnica veio por fim informar-me que a visita não seria possível, e eu lá me vim embora sem ver o meu filho. No dia 6 de Outubro voltei às visitas acompanhado dos meus Pais e a Sr.ª Joaquina, novamente fomos retidos numa sala de outro sector a aguardar, a técnica passados cerca de vinte minutos voltou a contactar-nos para informar que não era possível realizar a visita porque o menino não queria largar a avó com medo que ela se fosse embora e nós não nos podíamos cruzar com a avó materna do menino. Fiquei numa sala contigua e chamei pelo meu filho, ele durante alguns minutos não reagiu, ate que veio ate á porta e chamou-me, eu disse que não podia ir ( por imposição da técnica não posso ter contacto visual com a avó materna e ela encontrava-se na outra sala!). Aos poucos o Rafael lá veio ter comigo para brincar mas sempre muito assustado que a avó se ausenta-se! Circulando constantemente de um quarto para o outro. ( parece um jogo do rato e do gato , procurando sempre a técnica proteger a avó e não o menino). Apercebi-me que a avó utiliza uma estratégia, quando o Rafael se começa a inserir na brincadeira, ela começa a mexer nos sacos o que o põem logo em desespero com medo que ela vá embora. Na última visita levei um carrinho para o menino e a determinada altura ele dirige-se á sala onde estava a avó e diz: “ avó, o carrinho do Pai não tem bichos”. Imagino o que não metem na cabeça da criança… Tenho chamado a atenção da técnica para estes factos!

No dia 5 de Novembro pelas dez horas e quinze minutos apresentei-me na portaria da segurança social para proceder á visita do meu filho (esta visita já sujeita a alteração por pedido da outra parte). Identifiquei-me á porta com os meus Pais, avos do menino. O segurança informou a Dr.ª. Teresa Dias de Carvalho da nossa presença a qual nos mandou dirigir ao 9º andar. Ao chegar lá os meus Pais aguardaram na escada e eu entrei, confrontei-me logo com o meu filho que se dirigiu a mim dando-me um abraço e um beijo com alegria que sempre demonstra ao ver o Pai e dirigiu-se á sala posterior chamando o Pai e dizendo “ pai vem ver eu a encher as bolas” neste preciso momento aparece a técnica acompanhada da Avô materna do menino, e que por regra do serviço nem eu nem a minha família pode ter contacto visual, ficando a técnica muita aflita e mandando-me entrar, na precisa altura eu informei que os meus Pais aguardavam lá fora, automaticamente a referida técnica, muito arrogantemente me mandou sair e fechou-me a porta na cara, isto em frente ao meu filho. Ainda tentei o diálogo para esclarecer tal comportamento mas a senhora apenas disse “ já não há visita nem vai haver mais visitas”. Eu desci juntamente com os meus pais e dirigi-me aos serviços centrais para reclamar junto de quem tivesse autoridade, enquanto aguardava para falar com a responsável pelos serviços, a Dr.ª Teresa dias cruzou-se no átrio de entrada comigo e não me dirigiu qualquer palavra para justificar o sucedido. Fui recebido pela Dr.ª Sandra Batista que se identificou como chefe da equipa e ouviu atentamente as reclamações ficando de conversar com a Técnica Teresa Dias para esclarecer a situação. No dia 8 de Novembro liguei para a Dr.ª Sandra Batista e a mesma informou que falou com a Dr.ª Teresa Dias e que lhe foi informado que não estavam reunidas condições para dar continuidade ás visitas e que se justificaria com um relatório enviado ao tribunal.

Depois do julgamento em Março do corrente ano , depois de despacho da Juíza em Dezembro de 2010 e novo despacho em Maio! Continuo sem ver o meu Filho! Que foi aferido , estar a sofrer problemas de desenvolvimento com quem o raptou ” Avós Maternos”…”

2ª Feira


Pois, hoje é segunda-feira, dia que por natureza já é enfadonho, por ser inicio da semana de trabalho! Mas que fica imediatamente pior pois é dia de entregar o meu filho no infantário. Para no final do dia regressar à progenitora, o mais complicado é a falta que nos faz o sorriso de uma criança alegre e contente por estar ao pé de nós.

Mas o pior é ter de fazer de conta quando o vou deixar no infantário, tentar minimizar o acontecimento perante as lágrimas dele e a dizer que não quer ir, que quer atirar pedras, ou passear comigo, ou aquilo que lhe vem a memoria de uma criança de 2 anos.

Pensar o pior, nunca pensamos, pois apesar de estar contra a minha vontade num infantário que nem sempre cumpre regras e que só à 2 semanas conseguiu alvará e no entanto labora a uns 5 anos. Devo dizer que a minha única certeza é ter garantido alguma confiança durante esta minha batalha em algumas pessoas de lá, mas coração que ama nunca descansa.

Mas diga-se a bom Dom da verdade, esta sempre melhor no infantário de que com a mãe, que continua a fazer das suas  e envolve a outra filha dela nas confusões dela. Sim, ela tem uma outra filha de um relacionamento anterior.

E como eu as vezes penso que a posição dele, é a melhor, ele ficou cheio, ficou simplesmente cheio, pura e simplesmente!!!!

Ficou farto de ter que a ouvir a implicar com tudo e por nada, ficou farto de a ter de convencer a poder ficar com a filha, ela não permitia mais que um dia era ir buscar no sábado e entregar no domingo, quando a conseguia convencer a levar a menina de férias, sempre pouco tempo.

Ele cansou, ele descalçou as luvas e disse desisto, revoltado, e triste, certo, mas de que vale a pena gritar???

Eu ajudei a criar aquela linda menina, e sempre que ela me via, atirava-se ao meu pescoço e abraçava-me e cobria-me de beijos, agora só a posso ouvir a chorar, fechada numa divisão da casa a chamar por mim, pois a mãe não a deixa vir ter comigo.

É fácil de perceber porque, para a menina não me contar coisas, para não falar comigo e não ficar a saber de determinadas coisas. A culpa quando é muita até os filhos ela envolve.

Li ontem, num blog (que aguardo, autorização,para colocar aqui), de outra desistência, de um homem que lutou pelo filho, que fez tudo, e que perdeu empregos e saúde, para poder ter o filho, mudou métodos e acções, só não mudou cabeças de pessoas retrógradas. O resultado foi desastroso, o menino morreu!!

E agora, a quem ele pede responsabilidades, a quem ele dá descanso a sua alma, sabendo que pode colocar um ponto final?

É que depois todos os que se envolveram, não aceitam responsabilidades.

Mas eu vou pedi-las se algo acontecer e por nome, individualmente a todos os que estão envolvidos, e a justiça será feita de uma forma ou de outra.

As saudades, são muitas, filho, vamos atirar pedras???

No nosso rio da saudade

Guerra


Tudo começa, e com o passar do tempo, é história, e como todas as historias tem o valor de uma moeda, pois ambas têm 2 faces!
A minha vida mudou com o nascimento do meu adorado filho, eu sofria, mas deixei-me estar, eu chorava, mas aguentei-me, até não conseguir mais, até se ter ultrapassado todos os limites da razão, até o negro ser branco e o branco ser vermelho, resistir, havia sido inutil.
O meu filho quando nasceu foi a mais fantástica sensação que tive, não houve dinheiro, acontecimento, que me tira-se a alegria de o ver quando nasceu, de lhe ter cortado o cordão umbilical, e o ter sentido com aqueles olhos em forma de amendoa, a segurar o meu dedo com aquela mão, pequenina, tão frágil e doce.
Ajuda-lo a limpar, a pesa-lo, e a vesti-lo, nada no mundo compensa este sentimento, passei o natal sozinho, mas com vontade de o trazer para casa, e o ter bem perto de mim.
Logo nessa altura as "guerras" se iniciaram com a mãe dele, e eu desisti de tudo, não conseguia mais, tive de me afastar, tive de sair para poder viver novamente.
Só não, ultrapassei a tristeza de o ter que deixar, mas para onde o levava?
Os pais, não tem tanta sorte, ou aguentamos sofrer ou largamos os nossos filhos as amarguras das mães, elas também poderão dizer o mesmo, mas a elas é mais fácil, mais linear pois ficam com tudo, e tentamos sempre passar panos quentes para que elas, não possam se vingar nos filhos.
Eu não tive, nem tenho tanta sorte, a minha largou-o com 6 meses e foi com uma amiga para fora, durante 6 dias!Não querendo saber.
Para passear, coloca-lhe a vida em perigo, colocando a frente, sem cadeira e sem qualquer segurança (leia-se criança com 2 anos), e os pais todos perguntam...onde esta a policia? O que fazem com as nossas queixas a segurança social? Os Juizes?
Nada, simplesmente ignoram...simplesmente dizem é necessário mais...
Mais como??? Que seja prostituta??? Que se drogue em frente dos juízes???
Dá-se provas e nada, da-se imagens e nada, só falta começar todos numa loucura de tiros a tudo e a todos, e esta feito!
As pessoas revoltam-se quando vêem na tv, mães que matam os filhos ou pais que os raptam e perguntam-se porque...
É fácil, a resposta, porque ninguém liga, ninguém ouve, deixam os filhos serem usados como armas de guerra de uma estupidez, seja ela da mãe seja do pai!
E ninguém liga, nem ouve...no meu caso, fiquei sentado desta ultima vez a ver o cabelo do meu filho crescer, até ficar com tranças, cansei, não adiantou falar, dirigi-me a uma cabeleireira credenciada, e com formação...perguntam vocês, e???
Bem o e, que a mãe pegou nele quando o viu e com uma maquina de uns amigos rapou-lhe o cabelo todo, como dizendo eu é que mando, eu é que sei...quem paga??? O filho...
Será assim sempre, eu sei, mas hei-de continuar a gritar, um dia, um dia eu sei que nos hão de ouvir e os pais terão os mesmos direitos que as mães...um dia..um dia...

Para o meu filho!


Obrigado,

Obrigado por quando nasceste, me teres agarrado o meu dedo indicador, obrigado por me teres reconhecido sempre. Mesmo quando dormias no meu peito após te dar o biberão ou quando acabavas de mamar.

Quando nasceste, a felicidade invadiu o meu ser, apesar de tudo o que a tua mãe te fez quando ainda estavas na barriga dela, e de tudo o que ela me fazia.

Eu aprendi, e com o coração partido por te deixar entregue a fera, afastei-me dela, nunca de ti, luto e hei-de lutar sempre por ti, pelo teu sorriso, pela tua forma como me chamas pai, e me das “graxa” quando queres alguma coisa.

Quero te ajudar a seres feliz, a teres o que não tive e a te entregar todas as armas de forma a enfrentares o amanhã incerto do mundo com um sorriso nos labios, esse mesmo sorriso de criança com que premeias todos os que te conhecem. Sabendo que se caires eu te ensinei a te levantares novamente, contra todas as probabilidades. Assim eu saberei que tudo o que fiz, foi o meu dever de ser teu pai, teu amigo e que cumpri o que mais desejo, a tua felicidade.

Adoro-te filho, até sexta.

Vamos brincar este fim de semana e sermos por uns dias felizes os dois!!