Os gritos das duas meninas, de 10 e 12 anos, ecoaram por todos os quartos da residencial Beirã, na rua Professor Lima Basto, Lisboa, ao início da madrugada de ontem. Estavam a ser espancadas pelos pais, e um dos hóspedes não hesitou em chamar a PSP. Chegados ao local, os agentes da esquadra da Praça de Espanha encontraram as crianças subnutridas e com feridas, fruto de várias sovas.

 

As meninas tiveram de ser transportadas para o Hospital de Santa Maria, onde ontem à noite permaneciam internadas. Entretanto, os técnicos da Segurança Social foram alertados para as condições em que as crianças viviam – foram logo retiradas aos pais, e quando tiverem alta médica irão para o centro de acolhimento ‘Casa da Luz”, em Carnide.

Quanto aos pais, foram identificados pela PSP, mas estão em liberdade. Ontem, não quiseram falar ao nosso jornal. As meninas estiveram a fazer vários exames na Unidade de Pediatria de Santa Maria. Têm várias escoriações no corpo devido aos maus-tratos que sofreram durante anos. Os pais não as alimentavam e utilizavam-nas muitas vezes para pedir esmola na rua.

Ontem, quando a PSP chegou à residencial, o pai das meninas não estava no local. A mãe é que recebeu os polícias , já embriagada. As meninas estavam a chorar, com marcas evidentes de espancamento – uma delas estava a sangrar. O pai foi depois localizado e identificado. A PSP está a investigar.

HÓSPEDES ESTÃO CHOCADOS

Os vários hóspedes da residencial Beirã, situada junto à Praça de Espanha, estão chocados com as agressões violentas a que as duas crianças estavam sujeitas. Ontem, não queriam prestar declarações, mas um deles disse que o casal e as meninas “estão na residencial há muito tempo e, apesar de se ouvirem as crianças a chorar, não se sabia de tal violência”.

O CM tentou contactar o gerente daquele espaço, que não aceitou falar ao nosso jornal.

Após terem alta do hospital, as meninas serão encaminhadas para o centro de acolhimento de emergência ‘Casa da Luz’, uma instituição que acolhe crianças e jovens do sexo feminino em risco.

Protege as crianças e trabalha em articulação com os tribunais e com as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens.

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