VII – Género 

1 – Introdução 

Psicologia social – é o estudo cientifico de como o contexto social afecta os pensamentos, os 

sentimentos e os comportamentos da pessoa. 

2 – Sexo, Género e Preferência Sexual 

Sexo – referir-se-á ao estatuto biológico de ser homem ou mulher. 

Género – referir-se-á às significações que a sociedade e pessoas dão ao ser-se homem ou mulher.  

Por outras palavras, sexo refere-se à construção biológica e género à construção cultural. 

Preferência sexual – designa-se uma pessoa é heterossexual, sexualmente atraída por membros do sexo 

oposto, ou homossexual, sexualmente atraída por membros do mesmo sexo. 

3 – Género e Cultura 

Estereótipos de género – são as perspectivas populares de como homens e mulheres diferem na sua 

maquilhagem psicológica. Por exemplo, diz-se muitas vezes que os homens são mais agressivos que as 

mulheres, enquanto que estas são mais emotivas que os homens. 

Ideologia do papel do género – é a crença acerca das relações de papéis apropriados entre homens e 

mulheres. 

3.1 – Natureza dos estereótipos de género 

Embora a maior parte do trabalho sobre os estereótipos esteja relacionado com crenças e atitudes acerca 

de grupos étnicos, investigações mais recentes têm focalizado os estereótipos de género. Tais estudos 

têm mostrado que crenças estereotipadas dos papéis e características masculinas e femininas persistem,

apesar da existência de movimentos que lutam pela igualdade dos dois sexos. 

Os estereótipos são sistemas de crenças que se atribuem a membros de grupos simplesmente pelo facto 

da pertença a esses grupos. Trata-se de generalizações através das quais se procura o sentido num meio

social complexo. São generalizações incorrectas sobre as características dos membros de um grupo. (4 

características – conjunto de crenças; – com que espécie de homem/mulher se é; – partilhado pelos 

membros de um grupo particular; – relevando domínio cognitivo). 

Os estereótipos de género referem-se a sistemas de crenças a propósito dos homens e das mulheres, 

podendo-se conceptualizar a dois níveis:  

• estereótipos dos papeis do género – são crenças sobre a apropriação de vários papéis e 

actividades aos homens e às mulheres. 

• estereótipos dos traços de género – são constelações de características psicológicas que se 

pensa caracterizarem os homens mais ou menos frequentemente que as mulheres. 

Intimamente associados aos estereótipos de género encontramos os papéis de género – que são 

actividades com significado social em que os dois sexos participam actualmente com frequência diferente. 

3.2 – Variações nos estereótipos de género 

O conhecimento dos estereótipos de género mostrou-se influenciável pelo nível sócio-cultural da família na 

qual a criança é educada. 

3.3 – Activação dos estereótipos de género 

Uma das questões a que os psicólogos sociais têm procurado dar resposta é a de se saber em que 

condições os estereótipos de género são mais susceptíveis de influenciar as nossas percepções sociais.

Segundo Deaux e Major (1987) há três factores que determinam se os estereótipos de género são 

activados: 

1. A pessoa-alvo – há diversas características da pessoa-alvo que podem contribuir para activar os 

estereótipos de género. Uma característica que se tem revelado particularmente importante 

relaciona-se com as pistas de aparência física. 

2. A pessoa que percepciona – as pessoas que se conformam com as expectativas de género é, 

segundo Bem (1981), esquemáticos no género. Estas pessoas em geral percepcionam o mundo 

com lentes masculinas e femininas. Por outro lado, as pessoas aesquemáticas no género são as 

que em geral não processam informação segundo as qualidades masculinas ou femininas 

percepcionadas. Uma das consequências de se ser esquemático no género que se associa com 

os estereótipos, é que se tende a identificar mal diferentes membros do outro sexo (Frable e Bem, 

985). Para as pessoas esquemáticas os membros do outro sexo parecem geralmente 

semelhantes. 

3. A situação – há situações que também podem activar os estereótipos de género. Deaux e Major

(1987) sugerem que contexto, tais como um salão de cabeleireira ou uma garagem podem levar 

automaticamente a pessoa que percepciona a fazer distinções com base no género. Isso tem a 

ver com o facto de o sexo da pessoa-alvo ser particularmente saliente em tais contextos. 

Um outro aspecto da situação susceptível de activar os estereótipos de género é a pressão temporal. Os

estereótipos de género são mais susceptíveis de aparecer na percepção social quando as pessoas estão 

sob constrangimentos de tempo (Jamieson e Zanna, 1989). 

3.4 – Agentes de socialização dos estereótipos de género 

Passemos agora a examinar alguns dos principais agentes de socialização através dos quais os 

estereótipos de género continuam a ser transmitidos aos homens e às mulheres. Os pais constituem os 

primeiros e principais agentes de socialização na nossa sociedade. A criança também recebe informação 

acerca do mundo social fora de casa. Os meios de comunicação reflectem e modelam a sociedade são 

extremamente influentes, muito especialmente junto de crianças que não podem diferenciar de modo claro

a fantasia da realidade. 

A informação proveniente do meio ambiente é um poderoso factor que contribui para a aquisição dos 

estereótipos. 

1. Família – Os pais têm percepções, expectativas e valores estereotipados para os seus filhos. 

Desde que a criança nasce as crenças acerca do género estão tão profundas enraizadas que 

começam a influenciar o comportamento dos adultos. Para além disso, os irmãos contribuem 

também para a socialização das crenças estereotipadas de género. Os irmãos, em particular, os 

mais velhos, reforçam e modelam os comportamentos e interesses estereotipados de género 

(Huston, 1983). 

2. Escola – apesar das escolas estarem a mudar, ainda desempenham um papel importante na 

socialização do papel de género tradicional. Professores interagem muitas vezes com os seus 

alunos de modo a reforçar os estereótipos de género e a favorecer os rapazes em relação às 

raparigas. Por vezes vêem os alunos como sendo intelectualmente mais competentes que as 

alunas. 

3. Colegas – os colegas são também agentes importantes de socialização. Tornam-se cada vez 

mais importantes durante os anos da escola. Muitas vezes a pressão de colegas é mais forte e 

eficaz que a dos pais, ou de outros adultos, em especial durante a adolescência. 

4. Meio de comunicação social – um dos modos de transmissão dos estereótipos sexuais aos 

membros de uma sociedade é através das imagens de mulheres e de homens apresentadas nos 

meios de comunicação social. 

Face-ismo – tendência a enfatizar a face de um homem e o corpo de uma mulher nas fotografias e noutras

representações sociais. 

Em suma – a família, a escola, os colegas e os meios de comunicação social transmitem informação 

estereotipada quanto ao género às crianças. Para além disso, rapazes e raparigas são tratados de modo 

diferente na família e na escola. Apesar de em todas essas instituições os estereótipos estarem menos 

vincados do que duas décadas atrás, ainda são frequentes apresentações estereotipadas dos papeis de 

género. 

3.5 – Os estereótipos de género são verdadeiros? 

Com base em investigação sobre diferenças biológicas, psicológicas e sociais entre sexos pode-se 

concluir que os estereótipos de género podem ter um fundo de verdade, simplificando e exagerando 

todavia essa verdade (Eagly, 1987; Maccoby e Jacklin, 1974; Spence, Deaux, e Helmereich, 1985). 

Parece que as crenças sobre as diferenças sexuais são mais acentuadas e abundantes que as próprias 

diferenças. 

3.6 – Mudanças 

Nas décadas de 70, 80 e 90 os movimentos feministas têm feito ouvir a sua voz em todo mundo ocidental.

Mason, Czajke e Arber (1976) estudaram as mudanças nas atitudes dos papéis sexuais das mulheres em 

três períodos: 1964, 1970 e 1973-74. O primeiro destes intervalos de tempo ocorrem antes do advento do

movimento as mulheres nos Estados Unidos e o segundo coincidiu com o período em que esse 

movimento começou a contribuir para a tomada de consciência do estatuto das mulheres e ater uma 

influencia politica e social. 

3.8 – Ideologias do papel de género 

Ideologia do papel de género – crenças sobre relações de papel adequadas entre mulheres e homens. 

Enquanto que os estereótipos sexuais são crenças consensuais mantidas acerca de características dos 

homens e das mulheres, a ideologia do papel sexual consiste em crenças prescritivas acerca do 

comportamento apropriado às mulheres e aos homens. 

Recentemente examinámos as características psicadélicas de uma medida da ideologia do papel sexual 

(Sex-Role Ideology Scale – SRIS – Kalin e Tilby, 1978). A SRIS mede crenças a respeito dos papéis 

sexuais com base em cinco áreas: 

• Papeis do trabalho de homens e mulheres, 

• Responsabilidade parentais de mulheres e de homens,

• Relações pessoais entre mulheres e homens, 

• Papeis específicos de mulheres, 

• Maternidade, aborto e homossexualidade. 

Em geral os scores mais igualitários foram obtidos em países com desenvolvimento socioeconómico 

relativamente elevado, uma proporção elevadas de Cristãos (e uma baixa proporção de Mulçulmanos), 

uma elevada percentagem de mulheres empregadas fora de casa e a estudar ao nível universitário. 

Os papéis de género não são o resultado de diferenças biológicas, mas são determinados pela cultura ou

pela sociedade em que se é educado. 

A aprendizagem dos estereótipos de género começa geralmente antes dos cinco anos e continua através 

da infância e da adolescência. O projecto intercultural apresentado sobre os estereótipos de género 

permite-nos concluir que existe um modelo pancultural dos estereótipos de género, cuja existência é 

evidente em todos os grupos culturais estudados, com variações relativamente menores resultantes de 

influências culturais. 

4 – Comparações de género 

Quais são efectivamente as diferenças entre o comportamento masculino e feminino na nossa sociedade? 

4.1 – Análise de diferenças de género de Maccoby e Jacklin 

A análise efectuada por Eleanor Maccoby e Carol Jacklin (1974) contribuiu para mudar a perspectiva sobre 

o género em psicologia. Defenderam que só havia algumas áreas do funcionamento psicológico em que as diferenças de género podiam ser documentadas. Essas áreas de diferenças de género eram as seguintes: 

• As mulheres têm maior capacidade verbal. 

• Os homens têm maior capacidade visual-espacial, 

• Os homens têm maior sucesso em testes de matemática, 

• Os homens são mais agressivos. 

Poucos anos após a publicação deste trabalho de Maccoby e Jacklin, os psicólogos recorreram a um novo 

método para rever e sintetizar a investigação, a meta-analise – permite realizar três objectivos: 

• Determina quando uma diferença de género se encontra de modo fidedigno em muitos estudos, 

• Permite identificar o tamanho destas diferenças, 

• E informa-nos se as diferenças de género dependem de outras variáveis. 

4.2 – Diferenças cognitivas 

Poder-se-á interrogar porque é que se está interessado em capacidades cognitivas num manual de 

Psicologia Social. Podem-se entrever pelo menos duas razões para tal: 

• Em primeiro lugar – tais diferenças podem contribuir para os estereótipos de género e influenciar 

os papéis de género criados pela sociedade para os homens e as mulheres. 

• Em segundo lugar – os tamanhos das diferenças de género nas capacidades intelectuais podem 

ser úteis para se comparar com os tamanhos das diferenças de género em comportamentos sociais, 

tais como agressão, comportamento de ajuda e conformidade. 

A interpretação avançada por Berry é a de que as capacidades espaciais são altamente adaptativas para 

ambos os sexos nesta sociedade e quer os rapazes quer as raparigas têm um amplo treino e experiências 

que promovem a aquisição da capacidade espacial. 

4.3 – Diferenças emocionais 

1. Depressão – Frieze e tal. (1978) – Encontraram nas mulheres e tendência a fazerem mais 

atribuições externas que internas sobre as causas do seu comportamento. 

O desânimo aprendido (Seligman, 1975) leva por sua vez à depressão. Este desânimo aprendido 

ancora-se muitas vezes na realidade: as mulheres têm menos controlo sobre as suas vidas que os 

homens. 

2. Bem-estar – o bem-estar é um termo relativo. Para umas pessoas pode significar sentir-se 

realizado profissionalmente ou sentir-se bem com a família, com os amigos. Para outras significa 

riqueza, poder ou prestigio. Para outras ainda o bem-estar pode consistir em disfrutar de uma 

copiosa refeição ou de um dia sem sofrimento. 

A investigação tem posto em evidencia três componentes do bem-estar subjectivo: afectividade 

positiva, afectividade negativa e satisfação com a vida (Andrews e Withey, 1976). Os dois primeiros 

componentes referem-se a aspectos emocionais do construto e o terceiro refere-se a aspectos 

cognitivos de julgamento. 

4.4 – Diferenças no comportamento social 

1. Agressão – por agressão os psicólogos não entendem a auto-afirmação, mas o comportamento 

que visa ferir. 

Em duas meta-análise também se encontrou que o sexo masculino era mais agressivo que o feminino, 

quer na agressão física quer na verbal, muito embora a diferença entre os sexos seja maior para a 

agressão física (Eagly e Steffen, 1986 – Hyde, 1986). A partir destes estudos pode-se pois dizer que o 

sexo masculino é mais agressivo e os autores sugerem que esta diferença pode ter uma base 

biológica que cria uma maior prontidão para a agressão nos homens do que nas mulheres. 

2. Influenciabilidade e conformidade – Eagly, 1987 – efectuou uma revisão da investigação sobre

a conformidade e rejeitou amplamente a hipótese de que as mulheres são mais facilmente 

influenciadas que os homens. Encontrou que diferenças na conformidade desaparece quando as 

tarefas dadas aos homens e às mulheres são iguais relativamente à sua familiaridade para ambos 

os sexos. 

3. Comportamento de ajuda – Eagly e Crowley (1986) – efectuaram uma revisão meta-analise de 

172 estudos de comportamento pró-social. Encontraram que os homens eram mais susceptíveis 

que as mulheres de oferecerem assistência. 

4. Comportamentos não verbais – os estereótipos a respeito da «intuição» feminina deixam filtrar 

que o sexo feminino pode descodificar melhor o comportamento não verbal que o sexo masculino. 

As mulheres em média são superiores aos homens na descodificação de pistas não verbais, em 

particular, as expressões faciais. 

5. Comportamento em grupos pequenos – Diferenças de género tem também sido evidenciado 

num certo número de aspectos do comportamento em grupos pequenos (Caril, 1982). As 

mulheres em média mostram mais comportamentos sócio-emocionais positivos, tais como agir de 

modo amigável, concordar com outras pessoas, oferecer apoio emocional. Os homens mostram 

mais comportamentos orientados para a tarefa, tais como dar e pedir opiniões, tentar resolver a 

tarefa em grupo. 

Os homens são mais susceptíveis de aparecer como líderes de grupos orientados para a tarefa e as 

mulheres como líderes sociais e emocionais (Eagly e Karau, 1991). As mulheres em posições de 

liderança adoptam mais um estilo democrático e participativo que os homens (Eagly e Johnson, 1990). 

Em suma – estas diferenças no comportamento em grupo sugerem que os homens estão mais 

focalizados na concretização de tarefas e de recompensas e as mulheres são mais tocadas pelos 

aspectos sociais da interacção e em manter sentimentos positivos entre os membros do grupo. 

4.5 – Diferenças de género: conclusões e precauções

As diferenças dentro dos sexos são maiores que entre os sexos.

Fonte: 

Autor: SebentaUA, apontamentos pessoais                                                                                         

E-mail: sebentaua@gmail.com 

Data: 2007/08 

Livro: Manual: Neto, F. (2000). Psicologia Social. Lisboa: Universidade Aberta 

Caderno de Apoio:       

Nota: Apontamentos efectuados para o exame da disciplina no ano lectivo 2007/2008

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